O livro "A consonância silenciosa" é fruto de mais de trinta anos de reflexão e atuação na área da formação musical.
Nele, apresento uma percepção muito simples e direta: a de que a música é um fazer humano muito mais amplo do que o seu aspecto puramente técnico e que, por isso mesmo, a os itinerários de aprendizagem a ela vinculados devem direcionar-se também às outras dimensões inerentes a essa atividade, a saber: as dimensões humana e social. Não como algo transversal ou complementar, mas essencialmente.
É isso o que quero dizer quando indico que essa outra formação aqui apresentada parte rumo à integralidade.
Com base nessa premissa, proponho uma jornada de reorientação dos saberes, fins e valores que configuram a formação musical, uma reorientação que seja capaz de instaurar novos fundamentos e alicerces, para depois transformar as formulações teóricas e práticas.
Chamo a isso refontização, pois, como terei oportunidade de demonstrar, outros tempos e culturas já pensaram e sistematizaram sua formação musical assim, assumindo a integralidade do ser humano como base conceitual e alvo principais.
Tudo isso está condensado no Opúsculo Primeiro, cujo caráter é eminentemente teórico e crítico-reflexivo.
Na segunda parte do livro — o Opúsculo Segundo —, apresento uma alternativa de experiência prática que assume o princípio da integralidade como esteio e ponto de origem; apenas uma, dentre as inúmeras outras possibilidades que esse paradigma pode suscitar.
Na proposta ali formulada, raciocínios disparadores de reflexão — e, quiçá, de transformação interior — estão associados a códigos QR que levarão o leitor a uma coleção de melodias originalmente compostas para esta obra, e que integram cada vivência em uma perspectiva de metacognição.
Trata-se, então, de uma partilha de conhecimentos e uma partilha de vida — que, a bem da verdade, parecem-me ser, afinal, uma só e mesma coisa.
João Valter F. Filho
Campina Grande, junho de 2026